Gilmar Mendes diz ter certeza de que foi gravado por Joesley Batista

"Portanto nós estamos numa situação delicadíssima", lamentou. O STF está enfrentando um quadro de vexame institucional.

"Certamente no lugar onde está, o ministro Teori está rezando por nós e dizendo 'Deus me poupou deste vexame'", afirmou.

Gilmar Mendes diz que, sabendo agora que os delatores pretendiam atingir o tribunal, acredita que o encontro, ocorrido em pleno processo de negociação da colaboração premiada, foi gravado por Joesley.

"Certamente poucas pessoas na história do Supremo Tribunal Federal se viram confrontadas com desafios tão urgentes e imensos e grandiosos. E tão poucas pessoas na história do STF correm o risco de ver os eu nome e o da própria Corte conspurcado por decisões que depois vão se revelar equivocadas", disse Gilmar se dirigindo a Fachin.

Após a fala de Gilmar, que durou cerca de 18 minutos, Fachin respondeu: "Eu reitero o voto que proferi com base naquilo que entendo que é a prova dos autos".

"Julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger a ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte. Também agradeço Vossa Excelência e digo que a minha alma está em paz", afirmou. "Os estudos mostram que há um convite à subdelação, protegendo determinadas pessoas".

Os ministros se reúnem amanhã para decidir sobre pedido da defesa do presidente Michel Temer para que seja declarada a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de casos envolvendo o peemedebista. "Essa manipulação é horrorosa, é nojenta, é repugnante", criticou.

"Eu que fui da Procuradoria-Geral da República, em que lá entrei em 1984, em ver o estado de putrefação, de degradação dessa instituição, me constrange", afirmou. "Ter sido ludibriado por Miller et catera (e comparsas) e ter tido o dever de homologar isso deve impor um constrangimento pessoal muito grande", disse.

Entre os outros atos equivocados da PGR, Gilmar citou o pedido de prisão de Rodrigo Janot contra os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney, rejeitado por Teori e, depois, arquivado por Fachin. Eles são acusados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato. Janot diz que os planos deles não foram adiante justamente por causa das investigações.

A primeira (agravo regimental) é para que o procurador-geral seja considerado suspeito de atuar nos casos relativos a Temer. Um tipo de denúncia meio preventiva, uma invenção nova. Os ministros analisavam uma denúncia contra o deputado Dudu da Fonte (PP-PE). A investigação integra a Operação Lava-Jato, que apura irregularidades na Petrobras. Além de Gilmar Mendes, falta votar o decano da Corte, Celso de Mello. Segundo a votar, o ministro Dias Toffoli foi contra e fez referência às delações de executivos da JBS.

"A colaboração não pode levar por si só à condenação mas poderia ser por si só elemento para recebimento da denúncia". "Para o recebimento da denúncia tem que ter probabilidade para futura condenação".

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