Joesley pode ter gravado sem o lobista Saud saber

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir a prisão do ex-procurador e seu ex-auxiliar de confiança Marcelo Miller, suspeito de atuar em favor de executivos da JBS enquanto ainda atuava como investigador da Lava Jato. A solicitação está sob sigilo - nem a PGR nem o STF confirmam que ela foi feita. Em gravação, Saud e Joesley falaram sobre uma suposta influência de Miller nas tratativas para a delação.

Os advogados de Joesley Batista e Ricardo Saud, dono e executivo do grupo J&F, entregaram os seus passaportes às autoridades, o que impede, agora, que os dois deixem o país.

O ex-procurador pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída foi oficializada em 5 de abril. No total, permaneceram quase dez horas no local. Os três prestam esclarecimentos à Procuradoria no procedimento que deve revogar o benefício de imunidade penal concedido aos delatores. Isso porque os depoimentos dos empresários começaram a ser questionados desde que gravações de conversas entre Joesley e um dos sócios da J&F, já que demonstram uma possível proximidade entre o ex-procurador e os executivos.

De acordo com o site do G1, se Fachin autorizar as prisões, o acordo de delação premiada entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República deverá ser rescindido, já que o termo de delação "prevê que o acordo perderá efeito se, por exemplo, o colaborador mentiu ou omitiu, se sonegou ou destruiu provas".

Em primeiro lugar, tratam o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (PT) com uma intimidade assustadora.

Joesley alega que foi apresentado a Miller por Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa e também delator, porque estava à procura de alguém para a área de anticorrupção da empresa.

O procedimento de revisão do acordo é conduzido pela subprocuradora Cláudia Marques. Nesta sexta-feira, 8, ela vai ouvir Marcelo Miller e analisar informações do escritório Trech, Rossi e Watanabe - onde o procurador chegou a trabalhar após ser exonerado do Ministério Público.

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