Joesley e Saud se entregam à justiça em São Paulo

A prisão é temporária, ou seja, com prazo de cinco dias, mas podendo ser prorrogada ou se transformar em preventiva.

Miller pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída só foi oficializada no dia 5 de abril.

Na conversa gravada, entre outras inconfidências picantes, Joesley e o ex-executivo do Grupo Ricardo Saud discutem como gravar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para ele "entregar" ministros do STF, o que poderia reforçar a delação dos executivos. O empresário deverá dizer que, nos contatos mantidos com o ex-procurador, Miller teria explicado "como funciona a delação e como deveriam ser preparados os anexos", com vistas ao acordo de colaboração. O depoimento de Miller nesta sexta será determinante para que a PGR decida se houve omissão ou má-fé, o que justificaria rever os benefícios.

Na visão da defesa, Janot "deveria ter determinado a instauração de procedimento criminal se já entendia haver indícios suficientes de autoria e materialidade delitivas". Há expectativa de que o procurador-geral encaminhe sua decisão ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a sua decisão.

Depois que o material chegou, procuradores montaram uma força-tarefa para ouvi-lo e ficaram entusiasmados ao ver um anexo sobre Ciro Nogueira, pois ele foi denunciado ao STF na sexta (1º) junto com outros caciques do PP -processo que está em sigilo.

"Em prol do contraditório e da ampla defesa, requer-se a intimação dos peticionários, bem como a cópia do requerimento e das peças necessárias, para manifestação", diz parte da defesa publicada no Uol. Não há, no entanto, nenhuma indicação de que Janot soubesse das tratativas de Marcelo Miller com Joesley Batista e, segundo a Procuradoria-Geral da República, não havia, até o momento da entrega dos áudios, nenhuma negociação com o grupo J&F em torno de uma colaboração premiada.

Segundo Joesley disse aos procuradores, Miller não trabalhou no acordo de delação nem quando deixou oficialmente o Ministério Público.

Ao assinar o acordo de delação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, comprometeu-se a conceder imunidade aos delatores e não oferecer denúncia contra os sete colaboradores.

O empresário minimizou as menções que fez durante a conversa gravada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi obtida pelo repórter Matheus Leitão, do portal G1 e da GloboNews.

Edition: