Antes de semana de greve, enfermeiros acenam com novos protestos

A greve dos enfermeiros mantém-se. O sangue corre quente de ambos os lados da luta e, em entrevista à SIC, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, não pôs água na fervura. "O que há é um guerra contra um comportamento errático, irregular e violador do estado de Direito assumido por um conjunto de atores que, violando sistematicamente todos os princípios da ética, da deontologia e da lei procuram criar agitação num quadro em que a maioria dos profissionais de enfermagem não se revê", disse o ministro.

Os enfermeiros reivindicam a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respetivo aumento salarial, bem como a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros, mas a Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação desta greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei. Assim, Adalberto Campos Fernandes garante que quem cumprir estes dias de greve arrisca-se às consequências previstas na lei.

Os enfermeiros iniciaram esta segunda-feira uma greve que decorrerá até sexta-feira, contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira. A maior expressão desta contestação é sentida na área da saúde materna e obstetrícia, na qual os enfermeiros especialistas estão, pela segunda vez, a realizar um protesto que passa por não cumprirem as suas funções especializadas e que está a afectar blocos de parto e outro tipo de serviços ou assistência a grávidas.

Antes de semana de greve, enfermeiros acenam com novos protestos
Antes de semana de greve, enfermeiros acenam com novos protestos

Adalberto Campos Fernandes chegou mesmo a dizer que esta situação é o equivalente a "um jogo de chantagem sobre o governo à margem da lei em que uma ordem profissional se assume e se arroga de funções sindicais". O ministro afirmou ainda que o protesto é "ilegítimo, ilegal e imoral".

"Não é possível renunciar a um título profissional". A ACSS refere ainda que "devem os órgãos de gestão dos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde e do Ministério da Saúde providenciar para que o normal funcionamento dos serviços e da prestação de cuidados não sejam postos em causa".

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