Fachin autoriza prisão dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud

"A prisão temporária, quanto a eles, como requerida pelo MPF, é medida que se impõe", concluiu o magistrado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decretou a prisão temporária dos delatores da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, neste domingo (10). A apresentação da petição ocorreu logo após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir ao STF a prisão preventiva de Joesley e Saud na noite desta sexta-feira (08/09).

A expectativa, agora, é sobre quando a ordem de Fachin vai ser cumprida. Contra Marcello Miller pesa a suspeita de ele ter agido em favor de interesses da J&F enquanto ainda integrava o Ministério Público.

Joesley Batista e Ricardo Saud tinham feito um acordo considerado excessivamente generoso para eles, pelo qual não poderiam ser presos nem processados por causa dos crimes de corrupção que confessaram, como recompensa pelas informações que permitiram chegar a outros suspeitos, principalmente o presidente Michel Temer, acusado pelo PGR de corrupção, obstrucção à justiça e formação de organização criminosa.

A defesa de Miller também afirma que faltaria competência ao procurador-geral, Rodrigo Janot, e solicita que o pedido de prisão formulado pela Procuradoria Geral da República seja indeferido.

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No dia 31 de agosto, cumprindo o prazo do acordo, além dos áudios, foi entregue uma série de anexos complementares, e os dois colaboradores ainda estão à espera de serem chamados para serem ouvidos. Janot decidiu revogar o benefício de imunidade condedido aos empresários por entender que houve descumprimento do acordo de delação realizado com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Não está descartado um pedido de prorrogação da prisão.

O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril.

A defesa de Marcelo Miller criticou o pedido de prisão, após o depoimento do ex-procurador à Procuradoria Regional da República (PRR) no Rio de Janeiro.

A decisão do ministro foi tomada na última sexta-feira (8), poucas horas depois da solicitação de Janot, mas estava protegida sob sigilo.

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