Autoeuropa: Reunião para ouvir sem negociar

Apesar do optimismo manifestado no final da reunião de ontem pelo coordenador do Sitesul, o sindicato que representa maior número de trabalhadores na Autoeuropa, a administração só deverá negociar um novo acordo após a eleição da nova Comissão de Trabalhadores, que terá lugar no dia 3 de Outubro.

Em muitos casos, fizeram-no com abundância e sobrevalorização de pormenores, designadamente as "contrapartidas" da empresa, que os mal-agradecidos trabalhadores parecem recusarem, como se tivessem ensandecido, para escândalo de editorialistas, patrões e dirigentes do CDS, do PSD e... de outros partidos que se dizem de esquerda.

A Comissão de Trabalhadores e a administração da fábrica de Palmela ainda chegaram a um pré-acordo para os novos horários e turnos - que incluía uma compensação financeira de 175 euros acima do valor previsto na legislação, mais um dia de férias, um aumento mínimo de 16% do salário e uma redução de horário semanal para as 38,2 horas - mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos trabalhadores, tendo contado apenas com 23,4% de votos favoráveis, num universo de 3472 votantes, o que motivou a demissão da CT.

"A reunião foi muito produtiva". Portanto, estão abertos canais para o diálogo. "Para que haja um espaço de abertura para o diálogo é imperativo que a administração retire essa imposição de mudança de horário de trabalho".

Como escreveu o Negócios, não se previa que desta reunião pudessem sair conclusões sobre a questão do trabalho ao sábado na Autoeuropa para a produção do novo T-Roc, tema que quebrou a paz social que caracterizava a fábrica.

Esta foi a primeira reunião que se realizou entre as duas partes após a greve de 30 de Agosto (a primeira por razões laborais na fábrica de Palmela), contra o trabalho obrigatório aos sábados por causa da produção do novo modelo, o SUV T-Roc.

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