Cientistas usam vírus da zika para matar células de tumor cerebral

Até agora, o Zika foi vista apenas como uma ameaça global para a saúde e não um remédio. Os pesquisadores também demonstraram que o vírus não tende a infectar células cerebrais não cancerosas e versões mutadas de Zika que tornaram o vírus mais fraco contra o sistema imunológico do corpo também foram capazes de matar as células do glioblastoma, embora não tão bem quanto as cepas originais.

As injeções de Zika encolheram tumores agressivos em camundongos completamente crescidos, mas deixaram outras células cerebrais ilesas.

Segundo a BBC, ainda não existem provas humanas, mas os especialistas acreditam que o vírus pode ser injetado no cérebro ao mesmo tempo que decorre a cirurgia para remover os tumores malignos.

O glioblastoma é a forma mais comum de câncer cerebral e é frequentemente letal, de forma que a maioria dos pacientes morre no prazo de dois anos após o diagnóstico. Mas como a Zika não é um grande risco para os adultos, essas descobertas mostram que poderia ser um tratamento promissor para o câncer cerebral no futuro.

Eles são rápidos e difusos, o que significa que eles se espalham pelo cérebro, dificultando a visão de onde o tumor acaba e onde o tecido saudável começa. A radioterapia, quimioterapia e a cirurgia podem não ser suficientes para remover cancros invasivos. Isso porque as células-tronco do glioblastoma são difíceis de matar, pois são resistentes à quimioterapia e a radiação.

Os cérebros adultos, no entanto, têm poucas células-tronco.

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (5), no "The Journal of Experimental Medicine", desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina de Washington e da Universidade da Califórnia, aponta que o zika pode ser a fonte de tratamento do glioblastoma, tumor maligno que acomete o cérebro.

"É muito frustrante tratar um paciente tão agressivamente e ver o tumor dele voltar alguns meses depois", disse Milan Chheda, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis.

"Depois de adicionarmos mais umas mudanças, penso que será impossível para o vírus alterá-las e provocar doenças", afirmou o Dr. Michael Diamond. As equipes esperam começar os testes em humanos dentro de 18 meses.

Usar vírus para combater cancro não é uma ideia nova, mas usar o Zika como arma sim. Cientistas da Universidade de Cambridge iniciaram uma pesquisa semelhante com o mesmo vírus.

O próximo passo é realizar tais testes no organismo humano e observar como as células reagirão em terapias com o vírus zika, evento o qual pesquisadores já planejam.

"Isso poderia um dia levar a novos tratamentos para esse tipo de câncer particularmente difícil de tratar".

Edition: