Reino Unido pretende fazer uma união aduaneira temporária com a União Europeia

Frente a terceira rodada de negociações com a União Europeia (UE), que começará no próximo dia 28, o Executivo está esmiuçando como abordará com Bruxelas assuntos importantes no processo de diálogo.

Segundo recolhe o primeiro texto oficial, o Reino Unido poderia apresentar a Bruxelas o estabelecimento de "uma união aduaneira temporária" de duração limitada, "entre um e dois anos", com o objetivo de facilitar o comércio com o resto dos 27 uma vez que ocorra a saída da UE, e que evitaria problemas fronteiriços.

O Reino Unido anunciou nesta terça-feira deseja firmar um acordo alfandegário provisório com a União Europeia que permita o comércio mais livre possível depois da desfiliação britânica do bloco, mas também vai tentar conquistar o direito de negociar outros acordos comerciais após o Brexit, o que representa uma possível fonte de discórdia nas negociações sobre a separação.

Para o político conservador, um período transitório "faria com que os negócios somente teriam que se adaptar ao novo regime e propiciaria uma transição suave e ordenada".

Durante esse prazo, Londres quer poder negociar os seus próprios acordos comerciais internacionais, algo que não pode fazer agora como integrante da união aduaneira.

O segundo é uma nova "associação aduaneira", distinta à atual união, que "terminaria com a necessidade de uma fronteira comercial entre o Reino Unido e a União Europeia".

Mas sobre este capítulo, Davis não deixou muito margem para esperanças, ao revelar que não vai divulgar antes da cimeira de Outubro o montante máximo que o Reino Unido está disposto a pagar para selar as suas contas antes do "Brexit". "Como [o chefe dos negociadores europeus] Michel Barnier disse várias vezes não é possível ter um 'comércio sem entraves' fora do mercado único ou da união aduaneira", reagiu a Comissão Europeia que, apesar de prometer estudar "cuidadosamente" as sugestões, reafirma que só discutirá o futuro quando "houver progressos suficientes sobre os termos da saída".

A comunidade empresarial pediu ao Executivo clareza desde que a primeira-ministra indicou em janeiro sua vontade de se desvincular da união aduaneira - a área comunitária livre de tarifas - como parte de seu plano para o "Brexit".

A eventual saída do país desse espaço foi confirmada no final de semana em um artigo escrito conjuntamente pelo titular de Finanças, Philip Hammond, e o ministro de comércio, Liam Fox.

Após a divulgação do citado documento, a ministra principal escocesa, a independentista Nicola Surgeon, chamou a posição de Londres de "bruta" em uma mensagem postada em sua conta do Twitter e opinou que o Reino Unido "deveria se comprometer a ficar no mercado único e na união aduaneira".

O Governo britânico não esconde que está numa corrida contra o tempo para mostrar trabalho depois de o desaire das legislativas ter exposto as divisões sobre o rumo a seguir no "Brexit" e de ter sido acusado de chegar à primeira ronda de negociações, em Julho, sem propostas concretas sobre os temas mais difíceis em cima da mesa, como o direitos dos cidadãos afectados pelo "Brexit" e as contribuições ainda devidas por Londres aos cofres comunitários.

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