Venezuela: Peru ordena expulsão do embaixador em Lima

- O governo da Venezuela decidiu nesta sexta-feira expulsar o encarregado de negócios da embaixada do Peru em Caracas após a decisão do Executivo peruano de mandar embora do país o embaixador venezuelano em Lima, Diego Alfredo Bellavia.

Prefeito Ocariz participa de protesto contra governo Maduro na Venezuela Foto: Reprodução/TwitterMandato de dois anosA Constituinte ampliu seu prazo de vigência de seis meses para dois anos, com poderes absolutos além do mandato de Maduro que acaba em janeiro de 2019, apesar de toda a reprovação expressada por opositores, população e comunidade internacional contra o órgão. Molero terá cinco dias para sair do Peru.

"O governo peruano decidiu expulsar o embaixador Diego Molero após ter expressado sua condenação à ruptura da ordem democrática no país", diz a nota da chancelaria peruana.

No começo da semana, Lima foi sede de uma reunião de 12 chanceleres latino-americanos na qual foi rechaçada a Constituinte de Maduro e a ruptura democrática na Venezuela.

"O governo peruano ratifica sua forte disposição em continuar contribuindo para a restauração da democracia na Venezuela", conclui o comunicado.

A expulsão não significa o rompimento completo das relações diplomáticas entre Lima e Caracas. O Ministério das Relações Exteriores disse se tratar de uma resposta a uma nota de protesto de Caracas, que considerou como não recebida "por conter termos inaceitáveis".

O líder peruano disse que o bolivariano perdeu sua credibilidade quando deu um golpe de Estado por meio de uma Constituinte fraudulenta.

Mais cedo, Kuczynski criticou Maduro, a quem chamou de ditador, e rejeitou um convite do líder chavista para se encontrar frente a frente com outros líderes da região. Até a noite desta sexta-feira, o governo da Venezuela não havia respondido às críticas. Recentemente, Maduro chamou Kuczynski de "cão covarde a serviço do imperialismo".

O embaixador do Peru na Venezuela já tinha deixado o país em março. "Não me encontrarei com Maduro", disse o peruano. O comentário foi o mais duro já feito por Kuczynski, um economista que estudou em Oxford e Princeton e havia feito lobby em favor de Maduro para que ele substituísse Hugo Chávez, após sua morte em 2013. A nação andina é a primeira das Américas a exigir a saída do representante máximo venezuelano desde o início dos protestos contra o chavista, em abril, e da convocação da Assembleia Constituinte, instalada em 4 de agosto. A gênese do conflito foi uma declaração do peruano ao ser recebido pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro —ele foi o primeiro mandatário latino a ser recebido pelo republicano.

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