Silval diz que ele e Maggi pagaram para Éder mudar depoimento

Na delação premiada que firmou com a PGR e o STF homologou, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) não se limitou a mirar o também ex-governador e atual ministro Blairo Maggi (Agricultura), no que seria um "monstruoso" esquema de corrupção em Mato Grosso, conforme reportagem do "Jornal Nacional", da Rede Globo, na noite desta sexta-feira (11). A Globo ainda lembrou que Maggi é investigado na "Operação Lava Jato" sob a suspeita de receber R$ 12 milhões em 2006 na sua campanha a reeleição ao Governo de Mato Grosso, de acordo com delatores da construtora Odebrechet.

Silval confessou que sua parte também foi entregue.

Segundo a delação, Silval e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), fizeram uma "vaquinha" de R$ 6 milhões para forçar Éder a se retratar de uma delação feita por ele, em 2014, a Polícia Federal. Já a parte de Silval pelo então chefe de gabinete dele, Sílvio Cesar Corrêa Araújo em dinheiro vivo e outro parte usada para quitar uma divida de R$ 800 mil de Eder.

Eder, de fato, mudou de versão.

Após o pagamento, Eder voltou atrás e disse ter mentido no depoimento anterior. "Eu estava extremamente tomado pela emoção por não ter sido atendido numa escolha para ocupar uma vaga. Isto fez com que eu colocasse algumas palavras", declarou na retratação. Com isso, Dias Toffoli arquivou a denúncia. E essa mentira acabou tendo impacto nos rumos das investigações. O caso pode ser reaberto. Porém, valor menor: R$ 6 milhões - R$ 3 milhões para cada um. O governo Temer tem dez ministros investigados no Supremo. Em março de 2014, o ex-secretário disse que em 2009 falou com Maggi e Silval que desejava comprar uma vaga no TCE.

O ex-governador também disse, na delação, que foi paga propina para o senador Wellington Fagundes, seu aliado, que preside o PR em Mato Grosso.

A reportagem ainda apontou que Silval citou o repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) para que apoiasse uma candidatura a prefeitura de Cuiabá.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Gustavo Capilé. Silval disse que foram repassados parte de pagamentos de valores de construtores, de obras de pavimentação, para o senador e que houve quitação ilegal de dívidas de campanha.

O senador Wellington Fagundes disse que todas as doações recebidas para campanha constam em prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral.

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