Traficante atira 120 pessoas no mar; 29 corpos são achados

Há registo de pelo menos cinco mortos e 50 desaparecidos, mas a Organização Internacional para as Migrações teme o pior. - Pode ser o início de uma nova tendência, os traficantes sabem que a situação é perigosa para eles e que podem ser baleados, por isso lançam os imigrantes perto da praia e voltam e pegam mais.

Este é o segundo caso deste tipo que é divulgado nas últimas 24 horas no Iémen e que ilustra o tratamento desumano a que são sujeitos os migrantes que procuram melhores condições de vida. De acordo com a OIM, cerca de 50 pessoas morreram, mas apenas 29 corpos foram resgatados. Eles foram enterrados pelos sobreviventes em "covas pouco profundas", informou a agência de migrações da ONU. Um funcionário de alto escalão da OIM afirmou que havia "muitas mulheres e crianças entre os mortos e desaparecidos". Na quarta-feira, os traficantes forçaram mais 120 pessoas, com origem na Somália e na Etiópia, a saltarem para a água. A organização calcula que a idade média dos migrantes que viajavam no barco era de, aproximadamente, 16 anos.

"Os traficantes empurraram deliberadamente os migrantes para a água porque temiam ser presos pelas autoridades [iemenitas] quando alcançassem a costa", disse o gabinete de emergência da OIM em Áden.

Sobreviventes contaram ainda que os traficantes voltariam para a Somália "para continuar seu trabalho e recolher mais migrantes para trazer ao Iêmen pela mesma rota".

O Iémen está no meio de uma guerra civil e de um surto de cólera, mas os migrantes continuam a chegar aos milhares, esperando conseguir alcançar os países do Médio Oriente mais ricos, como a Arábia Saudita, o Kuwait, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos.

Segundo a OIM, 55 mil pessoas concluíram a travessia desde janeiro de 2017, a maioria delas originária da Somália e da Etiópia. "Muitos jovens pagam traficantes com a falsa esperança de um futuro melhor", acrescentou Boeck.

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