Fux homologa delação de ex-governador de MT, que diz ser 'monstruosa'

O acordo foi assinado há cerca de dois meses com a Procuradoria-Geral da República. Na semana passada, Fux afirmou que a colaboração de Barbosa é "monstruosa". O conteúdo da delação é mantido em sigilo.

Uma reportagem da Folha de S. Paulo, publicada na sexta-feira (4), revelou tópicos da delação premiada do ex-governador.

Ele teria relatado que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP) participou da montagem de um esquema para liberar dinheiro de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) estaduais em troca do apoio de parlamentares do Estado.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, homologou nesta quarta-feira (9) a delação premiada de Silval Barbosa (PMDB), ex-governador de Mato Grosso.

O ex-governador também relatou fatos envolvendo pelo menos três deputados federais com mandatos em curso, cujos nomes a reportagem não identificou, além de repasses a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. O acordo foi fechado entre Silval e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na semana passada, ele disse que se tratava de delação "monstruosa".

Investigadores confirmaram à TV Globo que o ex-governador entregou vídeos como prova das acusações que fez. Além disso, o ex-governador - que cumpre prisão domiciliar - teria concordado em falsificar um documento que estendeu benefício fiscal a todos os frigoríficos da JBS em Mato Grosso. Desde junho, porém, está em prisão domiciliar.

Os conteúdos trazidos pelo ex-governador poderão motivar novas operações da Polícia Federal no âmbito de investigações existentes ou originadas a partir da delação.

De acordo com o Ministério Público Estadual, as fraudes ocorreram entre 2011 e 2014, quando Silval era governador.

Empresários seriam supostamente ameaçados a pagar propina sob ameaça de que poderia perder incentivos por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Na ocasião, ele afirmou que tomou a decisão de mudar de postura nos processos em que figura como réu após refletir e se orientar com a família dele.

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