Mueller constitui grande júri para aprofundar investigação a ingerência russa

O procurador especial Robert Mueller convocou um grande júri para investigar a alegada interferência da Rússia nas presidenciais norte-americanas de Novembro do ano passado que terminaram com a vitória de Donald Trump. Segundo o jornal Wall Street Journal, que divulgou primeiramente a notícia, o grande júri começou seus trabalhos há algumas semanas, e sua formação indica que as apurações sobre a Rússia devem continuar ainda por meses. Ele apura ainda possíveis relações entre o governo em Moscou e a campanha do atual presidente americano Donald Trump.

Moscovo tem rejeitado estas acusações, ao mesmo tempo que Donald Trump nega qualquer conluio por parte da sua campanha, apelidando frequentemente a investigação levada a cabo por Mueller como uma caça às bruxas. De acordo com a emissora CNN, essas intimações solicitam tanto documentos como depoimentos de pessoas que participaram da reunião. No entanto, não se sabia quem eram os intimados a depor. O porta-voz de Mueller, Joshua Stueve, se recusou a comentar o assunto. O advogado Ty Cobb, assessor especial do presidente americano, também afirmou que não tem conhecimento sobre a formação do grande júri. "Assuntos de grande júri são tipicamente secretos", disse. Eles não têm poder para julgar um réu culpado ou inocente.

O WSJ sublinha que Mueller convocou a constituição de um grande júri em Washington, o que significa que a investigação está a intensificar-se e a entrar numa nova fase.

A polémica em torno de Flynn surgiu quando o The Washington Post noticiou que o conselheiro de Trump tinha falado - durante contactos telefónicos com representantes russos, nomeadamente o embaixador russo junto das Nações Unidas, Sergey Kislyak - sobre as sanções impostas pelos EUA à Rússia na sequência da anexação unilateral da Crimeia pela Rússia em 2014. Rejeitada por Moscou, a conclusão é apoiada também por empresas de segurança cibernética.

Esta iniciativa do ex-diretor da polícia federal (FBI, na sigla em Inglês) é um sinal de que a investigação pode motivar uma ação judicial. Após seu afastamento, Comey revelou que Trump chegou a lhe pedir, em fevereiro, para encerrar uma investigação sobre Michael Flynn, envolvendo também contatos com russos.

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