Advogado acusa desembargador de pedir propina

"Isso aqui não é a Câmara dos Deputados, isso aqui é um Tribunal de Justiça, e é preciso que a moralidade surja e venha a termo", afirmou o advogado em um vídeo gravado.

Um advogado acusou nesta quinta-feira (03) durante uma sessão, um desembargador de cobrar propina de R$ 700 mil para julgar favoravelmente uma ação na 1ª Câmara de Direito Civil, em Florianópolis. O advogado disse que o julgamento havia sido comprado, pois, segundo ele, o desembargador receberia R$ 500 mil por uma decisão favorável à parte interessada, sendo R$ 250 mil antes e R$ 250 mil depois. A fala foi filmada com celular e circulou pelas redes sociais. Para acalmar os ânimos, o presidente da Câmara, desembargador Raulino Brunning, pediu vista dos autos, suspendeu o julgamento e decidiu oficiar o Ministério Publico e OAB para acompanharem o caso.

Nesta sexta-feira, o advogado disse que o pedido de propina foi feito por um intermediário do desembargador a seu sócio no escritório de advocacia. Também não deu detalhes da ação que defendia. A causa envolve uma disputa de R$ 35 milhões.

O defensor declarou que "tem provas testemunhais" contra o desembargador, a quem chamou de "safado", "vagabundo" e "descarado". "Eu requeiro a prisão do advogado", disse, enquanto Felisberto Córdova era retirado da sala por colegas. "É fácil apurar isso", disse o advogado, que atua na área jurídica há 53 anos.

O presidente da OAB-SC, Paulo Brincas, anunciou ter constituído uma comissão especial para avaliar a gravíssima denúncia, ressaltando que o autor, Felisberto Córdova, é profissional atuante e respeitado há décadas em Santa Catarina. "Precisa ser investigada", disse Brincas.

O desembargador afirmou ainda que tem 25 anos de magistratura e que "nunca passou por isso na vida". Ele pediu a prisão de Córdova, o que não ocorreu.

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