Janot pede inclusão de presidente Temer em investigação contra PMDB

O procurador-geral da República Rodrigo Janot já colocou em prática a estratégia para denunciar Michel Temer por obstrução de Justiça, pois o braço do inquérito em que o presidente é acusado de dar aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha está mais adiantado.

Janot pediu ao Supremo um "deslocamento" das suspeitas no inquérito já aberto contra o presidente, que o investiga sobre organização criminosa, para o inquérito aberto no ano passado para investigar especificamente o PMDB da Câmara. Cabe ao ministro Edson Fachin, relator dos dois inquéritos no STF, autorizar ou não o pedido.

A expectativa é que ao menos a acusação por obstrução de Justiça seja apresentada até 17 de setembro, quando termina o mandato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro não respondeu às perguntas de jornalistas sobre o que poderia ocorrer com o inquérito no caso de a Câmara não dar continuidade ao andamento da denúncia contra Temer. Assim, devolveu os pedidos à Procuradoria Geral da República (PGR), que agora se manifestou pelo arquivamento.

Os deputados pedem ainda que seja votado no plenário da Câmara não o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que rejeitou denúncia de corrupção passiva contra o presidente Temer, mas a peça acusatória em si, redigida por Janot.

O inquérito do "quadrilhão" do PMDB possui atualmente 15 investigados, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), a ex-prefeita Solange Almeida e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um dos delatores da Operação Lava- Jato.

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