Pais vão poder acompanhar anestesia dos filhos antes de cirurgia

Os menores de 18 anos que forem sujeitos a intervenções cirúrgicas vão poder ser acompanhados pelos pais ou representantes dos mesmos no bloco operatório, assim que começarem a ser anestesiados.

O secretário de Estado sublinhou o empenho dos médicos nestas mudanças. "A ansiedade da criança ou jovem e da família tende a diminuir quando existe suporte emocional", justificou Araújo.

"A indução da anestesia pode ser das experiências mais marcantes da vida da criança ou do jovem, existindo estudos que evidenciam a associação significativa entre induções anestésicas difíceis e alterações do comportamento no pós-operatório", é escrito pelo secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, no despacho a que o jornal "Público" teve acesso.

Com base neste diploma, os hospitais onde são efectuadas cirurgias em idades pediátricas têm agora cinco meses para avançarem com as medidas de adaptação necessárias para que este despacho seja cumprido. A presença do acompanhante no bloco operatório e no recobro será também permitida quando se trate de cirurgias que envolvam "pessoas maiores de idade", desde que "com deficiência ou em situação de dependência".

Para materializar este novo direito, estabelece-se que, quando uma equipa decide que um menor vai ser operado, "o cirurgião e o anestesista responsáveis devem providenciar para que se reúnam as condições adequadas".

Mas estão previstas algumas restrições a este direito. Fernando Araújo acredita que a medida terá um impacto positivo também para os profissionais de saúde. Mas a lei acentua expressamente que é "vedado ao acompanhante assistir a intervenção cirúrgica", excepto se para tal for dada "autorização do clínico responsável". Esta medida, que se enquadra na promoção da "humanização dos serviços", foi hoje publicada em Diário da República e tem como objectivo diminuir a "ansiedade da criança" ou jovem no pré-operatório.

As instituições hospitalares, segundo o diploma, devem prestar formação ao pai ou à mãe (ou a quem os substitua), através de consultas pré-operatórias a realizar por parte da equipa de saúde, e definir um circuito em que o pai ou a mãe possa movimentar-se "sem colocar em causa a privacidade de outras crianças o jovens e seus familiares, nem o normal funcionamento do serviço".

Resta saber a opinião dos cirurgiões e dos anestesistas, no entanto, ainda este ano, o colégio da especialidade de anestesiologia da Ordem dos Médicos opôs-se, num parecer, à possibilidade de acompanhamento durante as cesarianas.

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