Janot diz que Cunha tem que ficar preso para não "influenciar asseclas"

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta terça-feira, dia 25, um recurso onde defende que o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara #Eduardo Cunha (PMDB-RJ) permaneça preso.

Em outubro do ano passado, o juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba, decretou a prisão preventiva do ex-deputado no curso de uma das fases da Operação Lava Jato.

Na avaliação do procurador-geral da República, mesmo sem o mandato na Câmara dos Deputados, Cunha ainda possui "potencial delitivo", "concentrado mais na capacidade de influenciar seus asseclas, ainda ocupantes de cadeiras no Congresso Nacional, do que propriamente no abuso das prerrogativas de parlamentar".

No documento de 62 páginas, o chefe do Ministério Público alegou que a manutenção da prisão de Eduardo Cunha, que está detido desde dezembro do ano passado no Complexo Médico Penal em Pinhais, é necessária pois o peemedebista ainda é "capaz de influenciar, criminosamente, a esfera da política institucional".

Janot considera ainda que, caso seja colocado em liberdade, Cunha poderia fugir do País.

O procurador-geral sustentou também que Cunha tem contas no exterior que ainda não foram bloqueadas e dupla nacionalidade (brasileira e italiana), o que representa risco de fuga. Por fim, mencionou a delação de Joesley Batista, da JBS, que acusou o ex-deputado de receber propina para ficar em silêncio na prisão.

Janot também alerta para fatos revelados nas delações de executivos do grupo J&F e da construtora Odebrecht. "Tais elementos demonstram, ainda, que o núcleo de organização criminosa composto por membros do PMDB na Câmara dos Deputados está em pleno funcionamento, com a ciência, anuência e efetiva participação de Eduardo Cunha".

Mais do que argumentar que Cunha vai continuar cometendo crimes se for solto, Janot apontou que o habeas corpus já perdeu a validade porque o ex-deputado foi condenado por Sergio Moro a 15 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em caso envolvendo negócios da Petrobras na África.

"A comprovar o desvirtuamento dos propósitos da CPI, basta relembrar que efetivamente nenhum agente político foi indiciado no relatório final", comentou Janot.

"Insinuar a existência de relação entre Michel Temer e José Yunes [advogado e amigo do presidente], bem como sugerir que este último teria intermediado financiamento - oficial ou não declarado - de campanhas do atual chefe do Poder Executivo Federal ou de sua legenda eleitoral, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o que não tem instrumentalidade alguma à defesa de Eduardo Cunha no caso", criticou Janot.

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