Detido juiz um dia após nomeação para tribunal paralelo — Venezuela

Um dos 33 magistrados do Tribunal Supremo paralelo formado na Venezuela pela oposição do Presidente Nicolás Maduro foi detido no sábado, anunciou o Parlamento, onde a oposição detém a maioria.

Em comunicado transmitido na TV estatal posteriormente nesta sexta-feira, o Tribunal Supremo de Justiça criticou os juízes alternativos que foram nomeados pelo Legislativo. Todos serão presos, um por um, um após o outro. Todos vão presos e todos terão congelados os bens, as contas e tudo mais. Zerpa é jurista e professor de Direito da Universidade Central da Venezuela (UCV) e da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab), ambas em Caracas.

Ortega Díaz impugnou a nomeação desses 33 magistrados e disse, inclusive, que um deles, atual integrante da Sala Constitucional do Tribunal Supremo, não foi avaliado pelo Conselho Moral Republicano, sendo designado deliberadamente pelo Parlamento, na época presidido pelo deputado Diosdado Cabello, um dos principais nomes do chavismo.

"Não estamos recuando, a Venezuela terá um Supremo Tribunal de Justiça e instituições à serviço do povo e não à serviço de qualquer governo que esteja no poder", disse o deputado da oposição Carlos Berrizbeitia durante a cerimônia, na qual os juízes nomeados receberam aplausos e gritos de "Bravo!".

"A Assembleia Nacional cumpriu [.]". Segundo o presidente venezuelano, ela vai "reformar o Estado e redigir uma nova Constituição", mas opositores afirmam que ela representa mais um golpe de Maduro contra a Constituição e a democracia venezuelana. "A próxima semana será crucial para a mudança na Venezuela e para revertermos essa falsa Constituinte".

Embora amplamente vista como simbólica, a ação aumenta o espectro do desenvolvimento de um Estado paralelo. Quem usurpou as funções do Parlamento? "Agora todos vamos apoiar com força nas ruas o novo TSJ", tuitou Freddy Guevara, vice-presidente do Congresso, um chamado a participar das marchas convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) em Caracas e outras cidades do país.

Entre quinta e sexta-feira, a oposição fez uma greve geral de 24 horas para exigir que Maduro desista do projeto, mas o presidente ratificou que seguirá em frente e avisou que colocará "ordem" após quatro meses de protestos que deixam 103 mortos.

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