Morre Liu Xiaobo, dissidente chinês que recebeu o Nobel da Paz

Liu Xiaobo, o prémio Nobel da Paz de 2010, morreu esta quinta-feira, com 61 anos de idade, no hospital de Shenyang, na China, onde estava internado devido à fase terminal de um cranco no fígado.

Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de prisão em 2009, sob acusação de "subversão" depois de reivindicar reformas no país.

Liu foi o terceiro a receber o prémio enquanto estava detido, depois da birmanesa San Suu Kyi, em 1991 e do alemão Carl von Ossietzku, em 1935.

Para a organização Human Rights Watch, a morte do dissidente chinês Liu Xiaobo "mostra a crueldade" do Governo da China em relação aos defensores pacíficos dos Direitos Humanos e da democracia.

As autoridades da cidade de Shenyang, onde foi hospitalizado, confirmaram sua morte em uma comunicado. "A arrogância, crueldade e insensibilidade do Governo chinês são chocantes - mas a luta de Liu por uma China democrática e respeitadora dos direitos humanos vai sobreviver", declarou ainda.

Devido à sua ausência, o prémio foi entregue de forma simbólica em 10 de Dezembro do mesmo ano em Oslo, tendo sido representado por uma cadeira vazia durante a cerimónia. No entanto, dois médicos estrangeiros que visitaram Xiaobo avaliaram que ele teria, sim, condições de viajar. Os médicos afirmaram mais tarde que consideravam seguro ele ser transferido para o exterior.

Encarcerado num campo de reeducação "pelo trabalho" entre 1996 e 1999 e afastado da universidade, Liu tornou-se um dos animadores do Centro Independente Pen China, um grupo de escritores.

A mulher de Liu Xiaobo continua, desde 2010, sob detenção domiciliária.

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