Esteve à altura e sem interrupção em Pedrógão Grande — SIRESP

A rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) escreve no relatório enviado ao primeiro-ministro que "não houve interrupção do funcionamento da rede", nem houve "nenhuma estação base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio" em Pedrógão Grande.

A empresa responsável pelo sistema diz que foram realizadas "mais de 100 mil chamadas", que foram "processadas no período crítico, das 19h00, de dia 17, às 9h00, de dia 18, através de 1092 terminais".

Nas conclusões do documento, publicado pelo Governo, lê-se que o "desempenho da rede SIRESP correspondeu e esteve à altura da complexidade do teatro das operações".

"Embora em modo de serviço local, cada estação base garante a comunicação entre os operacionais no terreno na respetiva área de cobertura, sendo esta uma característica da tecnologia TETRA", refere o relatório.

O relatório, pedido por António Costa, conclui ainda que a rede SIRESP funcionou de acordo com a arquitetura para que foi desenhada e que, apesar de cinco estações terem ficado danificadas, a "rápida intervenção dos meios no terreno, permitiu a reposição integral do funcionamento do serviço em cerca de 72 horas".

Nos cinco dias de fogo na região, o número, segundo este documento, sobe para 1,1 milhões de chamadas em mais de três mil terminais. Na óptica dos relatores é preciso reforçar esta rede. "A saturação da rede não foi originada devidoa nenhuma falha da rede, mas foi originada por uma procura de tráfego superior à capacidade disponível". "O número excessivo de grupos de comunicações (talk-groups) envolvidos nas operações, que foi de 572, também poderá ter contribuído para a ocorrência de situações de saturação", defende o SIRESP.

Na última segunda-feira, a ministra da Administração Interna, Constança Constança Urbano de Sousa ordenou a realização de um "estudo independente sobre o funcionamento do SIRESP em geral, e em situações de acidente grave ou catástrofe, em particular", diz um comunicado do ministério.

"É lógico que houve falhas", disse à agência Lusa José Domingues, reagindo ao relatório de desempenho do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). Nas primeiras horas, registou-se que houve 246 comunicações que não passaram à primeira tentativa (busies), das 39.386 efectuadas.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) tinha assumido falhas no SIRESP, entre sábado e terça-feira, no local do incêndio de Pedrógão Grande. A estação mais saturada foi a da Serra do Cabeço do Pião, entre Castanheira de Pera e Penela.

A "fita do tempo" das comunicações registadas pela ANPC, a que o Público teve acesso, mostra que houve falhas nas comunicações do SIRESP durante as primeiras horas dos fogos.

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