Proibida pelo governo, parada LGBT em Istambul é contida pela polícia

Pequenos grupos reuniram-se na praça Taksim para uma marcha do orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e intersexo), apesar da proibição das autoridades, e com os polícias a superaram em número os participantes. Há no entanto relatos de que mais pessoas terão sido detidas.

Pelo menos uma centena de manifestantes, segundo a AP, reuniram-se em um bairro vizinho, batendo tambores e cantando slogans como "Não fique quieto, grite, existem gays!"

Lara Ozlen, do comitê organizador da marcha do Orgulho Gay, qualificou de "mentira" as palavras do gabinete do governador.

Pelo terceiro ano consecutivo, o governo de Istambul, na Turquia, proibiu a realização da Parada LGBT, que estava agendada para este domingo (25). "Vocês mudarão e se acostumarão a isso (.) Estamos aqui mais uma vez para mostrar que lutaremos de maneira determinada por nosso orgulho", completaram.

A parada de Istambul atraiu dezenas de milhares de pessoas no passado, tornando-se uma das maiores do universo muçulmano. Em 2016, a manifestação foi proibida sob alegação de motivos de segurança, já que o país acabava de sofrer vários atentados relacionados ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) e aos separatistas curdos.

No entanto, em 2015, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os participantes, depois que os organizadores tiveram autorização para o evento negada por coincidir com o mês sagrado do Ramadã. Nos anos anteriores, estas manifestações decorreram sem incidentes.

Este ano, o desfile coincide com o Eid al Fitr, dia que marca o fim do Ramadã.

Após as ameaças de grupos conservadores e de extrema-direita, as autoridades tinham anunciado no sábado a proibição desta manifestação para preservar "a ordem pública" e a "segurança dos turistas".

Críticos acusam o presidente Recep Tayyip Erdogan de liderar um processo de islamização da Turquia desde que chegou ao poder em 2003.

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