Militares da GNR metem baixa psicológica — Incêndio Pedrógão

Em causa está, diz César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, a abertura de um inquérito para perceber as razões para que a Estrada Nacional 236-1 não tenha sido encerrada, "parecendo dar logo à partida responsabilidades aos guardas que estiverem no local".

Alguns dos militares da GNR envolvidos no grande incêndio que matou 64 pessoas no último fim de semana meteram baixa psicológica.

Um dos exemplos dados por Nogueira é o do posto da GNR de Pedrógão Grande, que tem 15 militares, quando deveria ter o "dobro". Defendeu, por isso, que houve "falta de meios", o que aliado às falhas no SIRESP, contribuiu para a tragédia.

Uma situação provocada, denuncia o presidente da Associação de Profissionais da Guarda, pela falta de militares mas também pelas falhas no SIRESP, o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal.

César Nogueira conta que, apesar do acompanhamento psicológico que estão a ter, alguns militares meteram baixa psicológica porque sentem que fizeram tudo o que podiam e acabaram por não conseguir salvar dezenas de pessoas da morte.

"Quem não cortou a estrada não o fez porque não tinha informação", sublinhou, e "eram apenas dois homens", disse. Realçou ainda que de serviço naquele dia, 17 de julho, só estavam dois de patrulha e um no posto devido a folgas e férias. Para César Nogueira este problema poderia ser resolvido se metade dos 23 mil guardas não estivessem em gabinetes a exercer funções burocráticas e administrativas.

Estão "tremendamente afetados", afirma, ainda por cima porque "estão a tentar colocá-los num imbróglio como se fossem culpados de tudo e mais alguma coisa".

Edition: