Polícia Federal conclui perícia em áudio entre Michel Temer e Joesley Batista

Nesta sexta-feira (23), a PF já havia anunciado a conclusão da perícia pelo Instituto Nacional de Criminalística. A afirmação foi em resposta às declarações do empresário Joesley Batista à Polícia Federal, em depoimento na Operação Patmos, quando disse que o presidente Michel Temer (PMDB) tentou incluir Yunes "para intermediar um acordo com uma empresa em disputa judicial em andamento contra o Grupo".

Na gravação que causou um terremoto político, Temer daria a Joesley o aval para o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) em troca do silêncio deste na prisão. A análise teria identificado mais de 180 interrupções "naturais" no áudio. As caraterísticas técnicas do equipamento também foram avaliadas, a fim de conhecer possíveis falhas no gravador durante a captação da conversa Problemas no aparelho poderiam levar a uma interpretação de que o áudio foi editado, em uma perícia superficial encomendada pelo próprio Temer.

Os delegados já apresentaram um relatório parcial apontando indícios de corrupção cometidos pelo presidente Temer dentro desse mesmo inquérito.

O laudo deve ser entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) somente na segunda-feira (26).

A conversa divulgada à imprensa, porém, continha trechos inaudíveis.

O diálogo em que Temer diz a Joesley para "manter" a ajuda financeira a Funaro e Cunha enquanto ambos estão presos precisou passar por perícia após a defesa do presidente, com ajuda da Folha de S. Paulo, contestar a integridade do material. Temer então indica o ex-assessor Rocha Loures.

Na decisão, Fachin não se pronunciou sobre o pedido de Policia Federal (PF) para prorrogar por mais cinco dias o inquérito aberto para investigar o presidente e Loures. A perícia é importante, mas não chega a ser considerada essencial pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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