PR lembra "um dos mais prestigiados economistas" da sua geração

O economista Miguel Beleza, ministro das Finanças do XI Governo Constitucional liderado por Cavaco Silva, morreu hoje em Lisboa aos 67 anos, disse à Lusa fonte próxima da família.

Conhecido pelo sarcasmo, num noticiário em que era apresentado como economista, professor catedrático, antigo governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, comentou: "Isso não é currículo, é cadastro".

Luís Miguel Beleza tinha como texto que mais o marcou um artigo de Gary Stanley Becker, reconhecido economista americano, Prémio Nobel da Economia em 1992, sob o título "Crime and Punishment: An Economic Approach". Como pessoa, tinha por ele uma sincera amizade.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou ainda que "a essa inteligência", Miguel Beleza "associava um admirável espírito de independência, e um profundo sentido de dedicação ao seu país".

O antigo comentador de televisivo destacou ainda as qualidades intelectuais e humanas de "um grande amigo de há mais de 50 anos".

Numa nota enviada à agência Lusa Cavaco Silva considera que a morte do antigo ministro é "um momento de profunda tristeza".

Na política exerceu o cargo de ministro das Finanças do XI Governo Constitucional (1990-1991), que abandonou por divergências "pontuais" com Cavaco Silva.

O economista e ex-ministro das finanças no tempo de Cavaco Silva estava em casa, para onde foi chamada uma ambulância do INEM.

A seguir foi para o Fundo Monetário Internacional (FMI), ocupando-se das relações de Portugal e Espanha com esta instituição, entre 1984 e 1987.

Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisbo e doutorado em Economia no MIT, nos Estados Unidos, Miguel Beleza foi também governador do Banco de Portugal entre 1992 e 1994.

Foi o primeiro gestor, na instituição, da permanência do escudo no Sistema Monetário Europeu.

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