Abdelmassih aguarda transferência para domiciliar com tornozeleira

Escolta policial deixou hospital onde ele está internado. Roger Abdelmassih usará uma tornozeleira eletrônica e não poderá sair da cidade informada como residência.

O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar pacientes em sua clínica de reprodução humana, está usando tornozeleira eletrônica desde a manhã desta quinta-feira, 22.

Ele cumpre pena na Penitenciária 2, em Tremembé, desde 2014, mas está internado desde 18 de maio em um hospital de Taubaté com broncopneumonia, que é uma inflamação dos pulmões.

O ex-médico de 74 anos tentava, desde outubro de 2016, o indulto humanitário, apontando que sofre de graves doenças, entre elas enfermidades do coração - a defesa pedia que, caso não fosse dado o indulto, que a Justiça concedesse a prisão domiciliar.

A decisão diz que Abdelmasih apresenta "quadro de saúde bastante debilitada, necessita de cuidados ininterruptos, medicação constante e em horários diversificados, alimentação especial, vigilância contínua tanto da área médica como de enfermagem, exames frequentes e específicos". Vanuzia também disse que vai lutar para que o ex-médico volte para a cadeia.

Antes da internação, Roger Abdelmassih cumpria prisão em Tremembé, na penitenciária José Augusto Salgado, conhecida por abrigar casos detentos de casos de grande repercussão, como os irmãos Cravinhos, condenados pela morte do casal Richthofen; e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabela. Procurados, os defensores de Abdelmassih não retornaram as ligações.

Ele deverá passar por perícia médica a cada três meses, ou em menos tempo se a Justiça determinar, para avaliar o quadro de saúde. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão pelos estupros de pacientes cometidos entre 1995 e 2008, mas conseguiu o direito de recorrer em liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A juíza determinou a emissão periódica de relatórios médicos sobre a situação do preso à Justiça. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia. No ano seguinte, o médico teve seu registro profissional cassado.

Abdelmassih cumpre pena desde 2014, quando voltou ao Brasil após ser capturado em Assunção, no Paraguai, para onde havia fugido. Entretanto, pela lei brasileira, nenhuma pessoa pode ficar presa por mais de 30 anos. Em outubro do mesmo ano, sua pena foi reduzida para 181 anos, 11 meses e 12 dias.

Edition: