Ministério investiga fuga no exame nacional de Português

O IAVE remeteu hoje para a Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) e para o Ministério Público informações sobre uma alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, não esconde a surpresa com a situação, porque à partida este é um sistema bastante fechado.

"Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo e só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX".

Num comunicado enviado à redação do Notícias Ao Minuto, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) confirma que abriu uma investigação "na sequência da divulgação de um ficheiro áudio que revela informações sobre a prova de Português 639 da 1ª fase, realizada no passado dia 19, e que alegadamente foi difundido antes da aplicação da prova". A aluna referia também que a dita explicadora a teria aconselhado a "treinar (.) uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão". Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. O professor teve conhecimento da gravação no sábado, mas contou ao Expresso que não deu importância por todos os anos haver boatos.

Desde então que Alberto Caeiro, a trabalhar nos versos "como um carpinteiro nas tábuas", tem vindo a ganhar destaque entre as tendências no Twitter, sendo apenas superado, na manhã desta terça-feira, por dois futebolistas que estarão a caminho do Sporting (Coentrão e Bruno Fernandes).

A verdade é que tudo o que revelado na gravação foi o que precisamente saiu no exame nacional. Foi ele o autor da denúncia ao Ministério da #Educação, conforme relatou ao Expresso.

"Houve alunos beneficiados e o exame devia pura e simplesmente ser repetido", disse o docente ao CM.

Ao "Expresso", o professor diz "compreender que anular a prova também pode causar injustiças, nomeadamente para os estudantes que a realizaram sem ter acesso àquela gravação e a quem o exame correu bem", pelo que considera que esta "é uma decisão muito difícil".

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