"Lula não interferiu no Banco Central", diz ministro em depoimento

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta (21) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não interferiu na atuação do Banco Central (BC) no período em que ele ocupava a Presidência da República.

Meirelles foi ouvido em seu gabinete, em Brasília, por videoconferência, no processo que investiga se Lula recebeu, como propina da Odebrecht, um apartamento vizinho ao que mora atualmente, em São Bernardo do Campo (SP), e um imóvel que sediaria o Instituto Lula, em São Paulo.

"Não [houve interferência]. Eu não me lembro sequer de ter conversado sobre isso com ele". Cristiano Zanin Martins perguntou, então, se Lula interferiu na aplicação destas normas em algum momento. Mas eu não posso afirmar de uma maneira ou de outra que tenha conversado a respeito.

Meirelles prestou depoimento ao juiz Sergio Moro, da Justiça Federal de Curitiba, por meio de teleconferência. Sobre o terreno que abrigaria o Instituto Lula, a defesa alega que o mesmo foi oferecido pela Odebrecht e não houve interesse na sua aquisição.

Em depoimento que durou apenas cerca de cinco minutos, Meirelles disse a Moro que não tinha nada a retificar ou acrescentar a um primeiro depoimento, prestado no começo de março. "Quando nós conversamos na primeira vez, e ele me convidou para ser presidente do Banco Central, eu coloquei isso da independência do banco como uma das condições". Durante o curso da administração, isso foi respeitado na medida em que todas as decisões que foram tomadas pelo Banco Central naquela oportunidade prevaleceram e na medida em que ele me manteve no cargo.

"Em 2005, 2006 saíram normas estabelecendo que deviam ser comunicados ao Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] movimentos atípicos, além de comprovação de origem de recursos".

Em resposta à defesa de Lula, Meirelles confirmou que, durante o período em que ele foi presidente da autarquia, foram editados atos normativos e circulares visando ao aprimoramento de questões como as relacionadas ao combate à lavagem de dinheiro.

À época, Meirelles afirmou que sua relação com Lula era totalmente focada em assuntos ligados ao BC e que nunca tinha visto ou presenciado "nada que pudesse ser identificado como algo ilícito ou ilegal".

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