Incêndio em Portugal teve "mão criminosa", diz bombeiro

Sabe-se agora que o incêndio florestal que deflagrou em Pedrógão Grande este sábado, 17 de junho, causou 63 mortos e 135 feridos.

Entretanto, a Polícia Judiciária vai chamar o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) para que forneça todos os elementos de que dispõe sobre as suspeitas de origem criminosa do incêndio de Pedrógão Grande.

Jaime Marta Soares refere ainda que o incêndio que ainda se encontra ativo deverá proporcionar "um grande debate" e que as autoridades devem definir uma estratégia de combate aos incêndios que abranja todo o ano e não apenas os meses de maior calor.

"Tenho a convicção de que não foi um raio que deu origem ao incêndio", começou por dizer, frisando "convictamente que a trovoada que se sentiu foi bastante mais tarde do que o início do incêndio". "Há situações que, se as formos apurar, já havia vigilância muito próxima e, se calhar, não estaria muito longe de alguém poder vir a ser detido por um conjunto de situações, que naquela proximidade, na proximidade daquele incêndio, já tinham acontecido", acrescentou.

"Tenho um profundo respeito pelas forças de segurança".

Em declarações à agência Lusa, o presidente da LBP afirmou que a Liga dos Bombeiros "vai fazer um levantamento com todos os operacionais responsáveis que estiveram no terreno", um trabalho que será feito após a extinção do incêndio.

Jaime Marta Soares disse ainda que entre "26 a 32% dos incêndios são causados por pessoas", atribuindo o mesmo intervalo de percentagem a "causas desconhecidas". "Agora choramos a morte de um dos nossos", afirmou o presidente da Liga. "Saúdo a abertura de um inquérito por parte da Polícia Judiciária [PJ] e guardarei as razões da minha suspeita para o momento em que for ouvido", declarou ao PÚBLICO. "A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais".

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou na segunda-feira que foram registadas descargas elétricas na altura em que foi reportado o início do incêndio de Pedrógão Grande, mas revelou que os dados estão ainda em análise, uma vez que é utilizado um sistema de deteção remota que tem sempre uma margem de erro.

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