Mariano Rajoy recomendou visita a Vila Real — Cimeira Ibérica

António Costa considera que as relações entre Portugal e Espanha são "muito fortes e integradas" e voltou a falar das fronteiras entre os países, defendendo que sejam um "ponto de união" em vez de uma "linha de separação". Não obstante o aprofundamento do processo de integração capitalista, o ritmo desigual de crescimento entre países e a asfixia económica e financeira que infligiu aos povos do Sul da Europa, os signatários acreditam que só uma União Europeia "forte e unida" é capaz de responder aos problemas dos cidadãos. "Queremos aproveitar simbolicamente a cimeira para chamar a atenção dos governantes e da opinião pública para este problema que consideramos muito grave e que está a ser repetidamente ignorado por Portugal e por Espanha, com a conivência de Bruxelas", salientou.

O primeiro-ministro disse ainda que foi feito um ponto de situação dos investimentos para reforçar ligações rodoviárias e ferroviárias, designadamente Porto/Vigo, Aveiro/Vilar Formoso e Sines/Caia, a par da obra de requalificação da ponte sobre o rio Guadiana, em Vila Real de Santo António, no Algarve.

E acrescentou, "Achamos que é lamentável e não é aceitável, uma vez que este tem sido um dos temas mais recorrentes ao longo do último ano nas relações entre Portugal e Espanha e, uma vez que esse tema não está na ordem de trabalhos, estamos nós próprios aqui a lançá-lo".

"Se queremos ter maior coesão territorial e queremos desenvolver o que está por desenvolver, é nestas regiões que temos de priorizar o esforço de desenvolvimento", realçou.

Neste sentido, defendeu a necessidade de "transformaresta força" de proximidade "numacapacidadecrescente" de ambos os paísesserem "mais fortes em conjunto no mercado europeu e global".

António Costa escreve também que o governo português está centrado na cooperação transfronteiriça.

Já o autarca de Vila Real defendeu, em declarações à Lusa, que a cimeira vai dar notoriedade à localidade, permitindo que a cidade mostre as suas potencialidades e reforce a sua posição como "frente avançada" para o mercado luso-espanhol.

Mariano Rajoy destacou a importância do comércio bilateral para as regiões de fronteira e, por isso, frisou que, pela primeira vez uma cimeira teve como tema central precisamente a cooperação transfronteiriça.

Existem 2.600 empresas que trabalham nos dois mercados.

Depois, as comitivas seguem para a Casa de Mateus, onde decorrerá a reunião plenária dos governantes, estando agendada para o final da manhã uma conferência de imprensa final e o encerramento da 29.ª cimeira ibérica.

Depois do encontro com empresários, os dois chefes dos governos deslocaram-se para a Praça do Município, onde decorreram cerimónias militares, com a presença dos três ramos das Forças Armadas. As cimeiras ibéricas são reuniões lideradas pelo primeiro-ministro de Portugal e pelo chefe do governo de Espanha com o objectivo de analisar questões de interesse para ambos e projectos de cooperação entre os dois países.

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